By Nabote Langa
Durante dois dias (18 e 19 de Setembro), facilitadores, membros de fóruns comunitários, técnicos da educação e representantes institucionais reuniram-se no distrito de Muanza (Sofala) para uma mesa-redonda sobre alfabetização de jovens e adultos.
O evento, promovido no âmbito da Semana Internacional da Literacia, contou com a presença de 33 participantes, sendo 21 mulheres e 12 homens, para avaliar os impactos do Programa de Alfabetização Integrado e discutir caminhos para a educação inclusiva no distrito.
No acto da cerimónia de abertura do evento, o Secretário Permanente do Distrito de Muanza, Félix Daúdo Nhama, destacou, por um lado, a importância do evento, e por outro, o papel da OJOLISC - Organização dos Jovens Livres para Servir as Comunidades na promoção da educação inclusiva e apelou ao envolvimento de todos os actores no processo educativo.
Estamos muito gratos pelas iniciativas. Espero que possamos contribuir com ideias inovadoras para o melhoramento das actividades que estão sendo implementadas com o apoio da OJOLISC e da DVV International em Moçambique.
Debates, apresentações e boas práticas marcaram o primeiro dia
No primeiro dia, a agenda foi marcada pela apresentação da temática “Essências da Educação Integrada de Adultos e Jovens”, tendo se debatido a evolução das actividades do programa; alfabetização no distrito e partilha de boas práticas entre facilitadores e fóruns comunitários.
A apresentação do relatório de dados de 2023, 2024 e 2025 coube ao coordenador Zebedias Dique, o qual mostrou a evolução dos indicadores de alfabetização. Entretanto, como acontece em outros lugares do país, a fraca participação dos homens nos centros de aprendizagem continua a ser um desafio por ultrapassar.
No dia 19, a sessão prosseguiu com a apresentação dos temas como: poupança comunitária; pequenos negócios; Educação nutricional e produção de JAM (Jardins de Aprendizagem Multidisciplinar); leitura e aprovação do Diário Flexível.
Porque o segundo dia era também o último do programa, a coordenadora da OJOLISC enfatizou o crescimento do número de participantes e o impacto do programa nas comunidades.
Entretanto, os participantes apelaram para a melhoria do programa e a necessidade de se fazer a réplica das boas práticas em outros centros, a expansão para outros distritos, como Inhaminga e mobilização de homens nas comunidades.
A mesa-redonda concluiu que o Programa Integrado de Alfabetização está a contribuir significativamente para a melhoria do acesso à educação, a valorização dos saberes locais e o fortalecimento das práticas pedagógicas.
Apesar dos avanços, registados, persistem desafios, como a formação contínua de facilitadores; maior envolvimento de homens nos círculos de aprendizagem, investimento em logística e monitoria, fortalecimento e adaptação do programa às realidades locais, como um instrumento essencial para a construção de uma educação inclusiva, emancipadora e socialmente comprometida.