By Nabote Langa
Poucos homens aderem ao Programa Integrado de Educação de Adultos e Jovens (PI). O distrito do Limpopo na Província de Gaza é disso exemplo, onde numa turma de 15 alfabetizandos aparece apenas um homem. Para as autoridades de Educação este é um dos desafios que se impõem ao sector e que exigem uma resposta sinérgica.
O Técnico do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT) do Limpopo, Leonardo Congolo, ainda na esteira das celebrações da semana da Alfabetização, para além da fraca adesão dos homens ao PI aponta que no geral o número de alfabetizandos reduziu este ano.
A alfabetização é um desafio, para o Sector da Educação. O efectivo de alfabetizandos reduziu por falta de pagamento de subsídios aos facilitadores pelo Estado. Alguns preferiram não continuar no presente ano lectivo.
O facto tem impacto directo nos alfabetizandos. Entretanto trabalhos estão a ser feitos para inverter a situação, segundo Congolo.
No universo de 469 alfabetizandos, 433 estão em situação positiva e o papel dos alfabetizadores, também é positiva. Com o apoio da DVV International através da AMODEC – Associação Moçambicana Para o Desenvolvimento das Comunidades, vamos superando as dificuldades.
Um dos grandes desafios descritos pelo Sector da Educação no distrito do Limpopo é a sensibilização das comunidades para aderirem à alfabetização.
Temos apelado às estruturas locais para fazerem a sua parte, mas alguns ainda não incutiram na cabeça que é importante alfabetizarem-se para adquirir conhecimentos. Há ainda resistência maioritariamente dos homens. Mas com o apoio dos alfabetizadores, acabamos tendo algum resultado positivo.
O Sector da Educação no distrito do Limpopo conta actualmente com um parceiro na área da alfabetização, depois que a Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Rurais – (ADCR) retraiu-se nos últimos anos sem explicação.
Ao parceiro o Técnico do SDEJT apela para a continuidade do investimento no sentido de se fazer entender às comunidades que a alfabetização e educação de adultos é fundamental, bem como a capitalização da actividade agrícola dos participantes através do PI.
Por outro lado, a alfabetizadora da Localidade de Chiconela, no mesmo distrito, Joice Manuel, fala de uma experiência positiva, porém desafiadora. Joice tem uma turma de 15 alfabetizandos, dos quais 14 são mulheres.
Nem todos os alfabetizandos aparecem. Não é todo o grupo que aparece todos os dias programados, eles fazem ‘escala’. A situação piora na época da sementeira de amendoim, às vezes dou aulas a somente 4 pessoas.
Não obstante, o resultado é motivador para a alfabetizadora.
Tenho histórias de sucesso. Comecei com uma candidata que nem sequer sabia ler e escrever apenas uma letra do abecedário. Quando começámos, eu disse para ela que naquelas letras era possível escrever seu nome. Nos primeiros dias tentava escrever no chão, copiava e não conseguia. Hoje ela consegue escrever e ler o nome no quadro e no chão. Isto é motivo de orgulho porque começamos do nada.
E mais:
Os homens justificam a fraca participação no programa com o facto de não quererem estudar com as mulheres. O único que está na minha turma estuda com a esposa, mas diz que não pode porque senão ela vai lhe faltar respeito em casa. Então prefere estar numa turma separada da mulher para que as suas fraquezas não sejam vistas.
Joice Manuel ganhou igualmente, um prémio de melhor alfabetizadora por ocasião das festividades do Dia Mundial da Alfabetização, pelo qual ela carrega um sentimento de responsabilidade para com a comunidade.
A laureada, sonha ainda com alfabetizandos que aprendam muito mais, que participem activamente na vida da comunidade e que tenham autonomia para ler e escrever.
Beneficiários pedem melhores condições
Beatriz Matusse vive no povoado de Nguleleni, Posto Administrativo de Chipenhe, no distrito do Limpopo e agradece a oportunidade de estar no grupo de alfabetização e não é para menos.
Quando entrei aqui não sabia ler nem escrever, mas agora já sei fazer isso. Meu grande apelo é de termos manuais e outros materiais didácticos, porque estamos a estudar sem eles e isso dificulta a nossa aprendizagem.
A alfabetizanda conta que tem sido alvo de zombaria no seu bairro quando o assunto é ir à escola.
Comecei a estudar em 2023, mas os meus vizinhos me consideram maluca, porque alegam que eu sou adulta e de nada a escola vai me ajudar. A minha motivação é de saber ler e escrever, e sozinha conseguir assinar os meus documentos e vou até onde Deus me permitir. Não me considero atrasada.
Beatriz diz que o papel da sua alfabetizadora tem sido fundamental, pois presta atenção e sempre lança um lembrete quando chega o tempo das aulas.
Convido a todos os que ainda não aderiram ao programa para se inscreverem e poderem ter sua autonomia na escrita e leitura.
Tal como a Beatriz, Sandra Matsombe, também já sofreu a zombaria dos vizinhos pelo facto de ir à alfabetização já adulta, mas para ela isso não lhe afecta a motivação.
Eu estudei no passado, mas achei que era importante voltar a escola. Preciso ter domínio na leitura da bíblia e não depender de ninguém. Parei de estudar na década de 90. Agora estou na sexta classe.
E finaliza com um pedido:
Meu pedido é de termos uma escola secundária nas proximidades, porque eu gosto da escola, mas a que temos está distante, é por isso que estou ainda na sexta class.
O distrito do Limpopo está situado na parte sul da província de Gaza. Foi criado pela Lei 3/2016, de 6 de Maio que reestruturou a divisão administrativa da área envolvente da cidade de Xai-Xai.
De acordo com o Relatório do Instituto Nacional de Estatística – INE (2017-2021) o distrito tem uma População de 157,702 habitantes, com uma taxa de analfabetismo de 28,9 pontos percentuais e as principais actividades económicas são a agricultura e a pecuária.