By Nabote Langa
Nasceu em Muanza, província de Sofala, na década de 70, é esposa e mãe com multideficiência. O seu primeiro contacto com a escola foi mesmo na fase adulta, através do Programa Integrado de Educação de Jovens e Adultos num dos círculos de alfabetização da Escola básica de Nhangau no ano de 2023.
A beneficiária conta que quando pequena não conseguiu estudar, primeiro porque a escola situava-se distante da sua residência, segundo porque sendo uma pessoa com deficiência física, precisava de meios de locomoção apropriados, mas a ajuda não chegou.
Não só a limitação física se tornou uma barreira para a senhora Isabel aceder à escola, mas também o conflito político entre as forças governamentais e a Resistência Nacional de Moçambique (Renamo) que assolou o país durante 16 anos e de que o distrito de Muanza igualmente foi alvo.
A paixão da Isabel Jasse pela alfabetização surge do facto de querer saber escrever o nome do seu marido e o seu nome próprio, bem como assinar documentos vários. Também queria saber ler anúncios, saber dos lugares onde pode frequentar e onde não pode e adquirir conhecimentos específicos nas disciplinas de Português e Matemática.
A participação no curso de alfabetização tem um significado na vida de Isabel Jasse: uma mudança na participação social, e inclusão na comunidade. Ela já sabe escrever o próprio nome completo, conhece as operações fundamentais da Matemática.
Na escola, Isabel não só estudou Português e Matemática, como também aprendeu a processar geleia de tomate, iogurte de mandioca e como poupar o seu dinheiro. Fala igualmente de ter uma boa relação com os facilitadores e os seus colegas, onde a sua condição de deficiência física não constitui nenhum motivo para a discriminação.
Isabel foi uma estudante persistente porque enfrentou desafios no aprendizado.
Foi muito difícil de aprender a Matemática, compreender a linguagem dos números, mas a minha facilitadora desempenhou um papel fundamental para me fazer entender a Matemática e não só, mas também a leitura do alfabeto.
Para os adultos que não sabem ler nem escrever, Isabel Jasse lança um apelo: “Inscrevam-se nos programas de alfabetização, sem receio, pois isso irá vos ajudar bastante nas vossas vidas, na participação na comunidade e na influência das políticas públicas. Isso vos permitirá identificar o que está bem ou mal escrito”.
Outro motivo pelo qual se deve estudar, segundo Isabel, é que a alfabetização facilita na assinatura do bilhete de identidade, documentos bancários, entre outros.
Por outro lado, no âmbito das boas práticas desenvolvidas nos círculos, a OJOLISC, no período de três anos, desenvolveu actividades de educação de adultos e jovens, em três distritos da província de Sofala: Beira, Dondo e Muanza.
Nos mesmos distritos orientou também as actividades de poupança rotativa, cujo principal objectivo é incrementar e melhorar as condições financeiras dos participantes.
Nesta temática, a organização tem três grupos funcionais, nas comunidades de Nhangau, Savane e Muanza. As actividades consistem na monitoria dos grupos.
Importa referir que cada grupo é que dita a modalidade do funcionamento da poupança que, geralmente é feita mensalmente.
Processamento de geleia de tomate e iogurte de Mandioca
A produção de geleia de tomate e o iogurte de mandioca destaca-se como actividade importante no processo de ensino e aprendizagem dos adultos e jovens. Os beneficiários participam com muita motivação. Os produtos são usados para o consumo e venda. Com o dinheiro das vendas, os alfabetizandos conseguem fazer poupança e suprir algumas das necessidades de casa e escola dos seus filhos.
Reuniões mensais de Fóruns Comunitários de Alfabetização.
Esta actividade, segundo a OJOLISC, é de grande importância, permitindo a sustentabilidade e funcionamento das actividades de educação integrada de adultos e jovens nas comunidades.
Portanto o Fórum Comunitário de Alfabetização realiza a monitoria das actividades nos círculos de alfabetização, a pontualidade e assiduidade dos facilitadores no exercício das suas funções.