Novo Método de Alfabetização em Moçambique

Moçambique torna-se no primeiro país africano a usar a metodologia IntraAct para alfabetização de crianças e adultos. A fase piloto será implementada em duas escolas no distrito da Manhiça, Província de Maputo, envolvendo 50 crianças, numa parceria entre a DVV International e a Editora Trinta Zero Nove.

By Nabote Langa

A Metodologia de origem alemã foi desenvolvida a partir de avanços da neurociência cognitiva, com o objectivo de facilitar e acelerar a aprendizagem da Leitura e da Escrita em crianças e adultos com necessidades educativas especiais (NEE), como explica a escritora Sadra Tamele, representante da Editora Trinta Zero Nove.

“Então reflectimos… se pensando neste grupo específico, conseguimos ter um resultado tão positivo, o que será se implementarmos em crianças que não têm nenhuma dificuldade? Com uma hora diária de aulas neste sistema de ensino por fonema, as crianças em quatro meses poderão ter terminado o curso sendo leitores fluentes”.

O método já foi aplicado com resultados altamente positivos em três países da América Latina: Brasil, Colômbia e Peru. Distingue-se do ensino tradicional por apresentar as letras segundo a sua facilidade de articulação sonora, respeitando o chamado “DNA sonoro” da língua. Além disso, recorre a elementos visuais que estimulam a memória de longo prazo e utiliza a chamada “janela de leitura”, uma técnica que aumenta o foco e a atenção do aluno durante o processo de alfabetização.

“Ao mesmo tempo que se faz o aprender a ler, faz-se o aprender a escrever também. Portanto, ensina-se como segurar o lápis e ensina-se a forma mais automática, porque vai buscar aquilo que são os mecanismos de automatização do cérebro. Então, usamos cartões que são quadradinhos com os primeiros fonemas, começamos com o A, M, L, O. E, logo à partida uma criança ao fim de poucas horas de aula, já consegue ler, e vamos progredindo com as letras do alfabeto neste sistema por fonema, não por ordem crescente do A a Z… usamos os quadradinhos que também tem cor.

E aqueles quadrados de cor fazem uma limpeza através do nervo óptico e, através da repetição, activa-se aquilo que é a mecanização da aprendizagem. Então, tudo o que for ensinado naqueles momentos, desta forma, fica. E não há forma nenhuma de voltar a ser esquecido.” Explica Sandra Tamele.

Inicialmente será feito um diagnóstico para a percepção das necessidades de cada participante, permitindo assim a comparação no processo de evolução.

“Cada um dos participantes no piloto vai ter uma ficha que vai ditar se precisa de melhorar a compreensão e reconhecimento das letras ou se já tem alguma leitura. Através desse diagnóstico que é personalizado, depois conseguimos comparar e ver no fim dos quatro meses de implementação da metodologia quantos leitores de facto teremos”.

Depois da Alemanha, a metodologia ganhou impacto nos países da América Latina como Brasil, Colômbia e Peru e agora chega exclusivamente a Moçambique.

“Isto porque o colectivo que desenvolveu a metodologia IntraAct tem um profundo interesse nesta relação com o mundo global. E há muito tempo que eles queriam ter uma aproximação com a África e principalmente a África lusófona, e eu acho que é aqui que as nossas duas organizações encontram mais energia porque buscamos soluções inovadoras e soluções com resultados comprovados que possam mudar completamente o que é o panorama equilibrado”.

Sobre o número inicial para a fase piloto, a escritora explica as razões.

“É um número pequeno, mas ao mesmo tempo é um número que nos vai permitir dar o máximo de atenção. Como disse, é uma hora por dia. Mas é uma hora intensa de relação entre este professor moderador e os participantes no piloto… É um exercício muito intenso”.

O curso destina-se a crianças e adultos que nunca tiveram contato com a escola.

“Nós preferimos alguém que não tenha tido contacto com a escola, porque daí o nosso resultado será mais específico sobre a maturidade e a idade”.

Uma das particularidades do método IntraAct é que exige condições mínimas para a sua operacionalização. Basta o manual e um professor treinado.

“Porque aí exigimos disciplina por parte dos professores. Ele tem que esquecer tudo aquilo que aprendeu, que é a metodologia tradicional, e dedicar-se mesmo a fundo à metodologia IntraAct, porque senão pode ter um impacto na tradução dos resultados. Então, é mais fundamental a mente aberta do professor e aquilo que vai ser a planilha da disciplina na implementação”.

O Método intraAct será implementado pela AMODEC – Associação Moçambicana de Educação de Adultos e Jovens que já trabalha com alfabetização de Adultos.

Com esta abordagem inovadora, espera-se promover uma aprendizagem mais rápida e significativa, contribuindo para a redução do analfabetismo e a inclusão social e educacional de crianças, jovens e adultos em Moçambique.