DVV International prepara nova fase do Programa Integrado em Moçambique

By Nabote Langa

A DVV International prepara-se para dar início à nova fase do Programa Integrado (PI) de Educação de Jovens e Adultos (PI) em Moçambique.

Neste contexto, o Director Regional da organização, Johann Heilmann, efectuou recentemente uma visita de cinco dias ao país, para dentre outras agendas, planificar a próxima etapa do projecto, que já conta com resultados significativos e a promessa de novas abordagens metodológicas.

Na sua visita ao distrito da Manhiça, onde funcionam os centros do PI, Johann Heilmann conversou com oficial de Comunicação em Moçambique, para um balanço dos últimos três anos e apresentação dos planos futuros.

Segue na íntegra o registo da entrevista conduzida por Nabote Langa.
 

Senhor Director, é com muito prazer que o recebemos em Moçambique, num momento em que a DVV International consolida importantes etapas do Programa Integrado de Alfabetização de Jovens e Adultos. Nesta entrevista, pretendemos compreender melhor o propósito da sua visita, os avanços registados no país, bem como as perspectivas para o próximo ciclo de cooperação. Qual é o principal propósito da sua visita a Moçambique e que expectativas traz em relação aos resultados desta missão?

Repórter (R)

O primeiro objectivo da minha visita é o planeamento da próxima fase do nosso projecto, que começará no próximo ano. Esta nova fase terá a duração de mais três anos, entre 2026 e 2028. Durante a minha visita, reuni com o Director Nacional para discutir os objectivos e os indicadores — que já estão prontos — mas, neste momento, ainda aguardamos a aprovação do nosso financiador, o Ministério da Cooperação Económica e Desenvolvimento da Alemanha.

Além disso, o planeamento da próxima fase inclui também a busca por um novo gestor de projecto, porque, até agora, o Director Nacional é a única pessoa que trabalha directamente nos programas. Precisamos de mais um profissional para a próxima etapa. Outro objectivo da minha missão foi conhecer melhor a abordagem que acabámos de iniciar na área da alfabetização — o método IntraAct.

Conversei bastante com o Sr. Michael Busch, uma das pessoas que introduziu esta metodologia noutros países e que também nos visitará na próxima semana. Estamos aqui no distrito de Manhiça para assistir a algumas aulas de alfabetização de adultos. Já observámos sessões com crianças, mas, para nós, é mais importante compreender como esta abordagem — que tem sido aplicada com crianças — funciona agora com adultos.

Estou muito curioso para ver os resultados, embora ainda seja cedo para tirar conclusões. Em termos de planeamento da nova fase, os resultados são positivos, mas ainda há muito trabalho a realizar nas próximas semanas.

Director Regional (DR)

Falando desta fase que está a terminar e da transição para um novo ciclo de três, como caracteriza o actual estágio de implementação dos projectos da DVV International em Moçambique, em particular no âmbito do Programa Integrado de Alfabetização de Jovens e Adultos?

R

Naturalmente, enfrentamos muitos desafios, mas posso afirmar que houve um progresso significativo nos últimos três a seis anos. Estamos a trabalhar num ciclo de nove anos, dividido em três fases de três anos cada. Notámos muitas melhorias em termos de programas integrados.

Temos várias iniciativas em diferentes províncias, onde os grupos-alvo beneficiaram bastante, sobretudo na geração de rendimentos combinada com a alfabetização, o que é extremamente importante. Também registámos avanços na cooperação com o Ministério da Educação, especialmente no grupo de trabalho dedicado à educação de adultos.

Reconhecemos que existem grandes necessidades em todas as províncias, e não conseguimos responder a todas, mas nas regiões onde actuamos — ao nível distrital — já se notam progressos importantes. Estes resultados ajudam a demonstrar ao Governo e à sociedade que, mesmo com um investimento reduzido, é possível alcançar impactos significativos.

DR

Quando visita as comunidades que impactos concretos a DVV International tem observado nos beneficiários das suas intervenções, especialmente no domínio da educação de jovens e adultos?

R

As maiores transformações, na minha opinião, são, antes de mais, o despertar da consciência de que é possível aprender. A capacidade de aprender costuma ser desenvolvida na escola primária, mas é mais difícil em idade adulta — ainda assim, continua a ser possível.

Ter a experiência de aprender novas competências, úteis na vida diária e na geração de rendimentos, é uma transformação profunda. Significa que os adultos podem continuar a aprender ao longo da vida.

DR

A DVV International encontra-se num processo de transição gradual das suas actividades de Maputo para a província de Gaza. Quais são as principais razões que sustentam esta decisão e que implicações ela terá em termos de apoio financeiro e logístico?

R

Do ponto de vista logístico e financeiro, poderá ser um pouco mais difícil, devido às distâncias maiores. No entanto, com um novo gestor de projecto e mais recursos humanos, acredito que não será um grande desafio.

É sempre difícil mudar de local de intervenção, tanto para os parceiros como para os grupos beneficiários, mas Moçambique é um país muito grande, com inúmeras necessidades. É importante olhar também para as regiões mais afastadas da capital. O nível de desenvolvimento em Maputo já é elevado, por isso precisamos de priorizar outras províncias. Esta decisão foi bem compreendida pelos nossos parceiros.

DR

Falemos agora do método IntraAct. A introdução desta metodologia no distrito da Manhiça representa uma inovação significativa. De que forma esta abordagem difere das metodologias anteriormente aplicadas no Programa Integrado e que expectativas existem quanto à sua eficácia?

R

Estamos muito optimistas, pois esta metodologia já foi aplicada em alguns países da América do Sul e Central, com resultados bastante positivos. No entanto, é a primeira vez que tentamos aplicá-la com adultos em Moçambique. Ainda não sabemos quais serão os resultados, mas acreditamos que serão bons. É importante lembrar que os adultos aprendem de forma diferente: valorizam aprendizagens que tenham relação directa com o seu quotidiano — não apenas ler e escrever, mas também gerar rendimentos ou encontrar emprego. Isso torna o processo um pouco mais complexo, mas continuo confiante. Vamos ver o que acontece.

Estou aberto a diferentes metodologias. Se uma abordagem ajuda, devemos adoptá-la sem hesitação. A educação precisa ser dinâmica e reinventar-se constantemente.

DR

Entrando para o novo ciclo de implementação, quais são as principais prioridades e projectos em carteira para o da DVV International em Moçambique?

R

Por um lado, trata-se de uma nova fase; por outro, é a continuação das anteriores. O mais importante é que, ao final de 2028, tenhamos resultados sustentáveis. Se conseguirmos novos financiamentos, poderemos redireccionar os projectos. Por enquanto, a orientação geral mantém-se, embora façamos alguns ajustes, incluindo a expansão para a província de Tete, o que é novidade.

Além disso, queremos reforçar a cooperação com o Malawi, pois a província de Tete faz fronteira e partilha a mesma língua, o Chichewa. Essa proximidade facilitará a troca de experiências e boas práticas, especialmente no campo da educação integrada.

O Malawi tem mais experiência do que Moçambique na criação de centros comunitários de aprendizagem, estruturas que funcionam muito bem lá e que podem servir de inspiração para nós.

DR

Ao encerrar o actual ciclo de implementação, que balanço faz dos resultados alcançados e quais considera serem os maiores desafios e aprendizagens deste período?

R

A falta de recursos continua a ser o principal desafio — não é culpa de ninguém, mas um facto. Há carência de recursos em todo o sistema educativo, não apenas na educação de adultos, mas também na educação pré-escolar, primária, secundária e na formação profissional. Ainda assim, acredito que, se utilizarmos melhor os recursos existentes e criarmos sinergias entre diferentes projectos e sectores, poderemos obter melhores resultados.

Outro desafio é a infraestrutura educacional e as dificuldades diárias das populações-alvo, que vivem em zonas rurais e dependem da agricultura. Por isso, é fundamental que as ofertas educativas estejam sempre ligadas à vida prática — à agricultura, à geração de rendimentos e ao sustento familiar.

DR

Senhor Director, estamos a passos largos para o fim da nossa conversa. Gostaria de destacar algum outro tema que não tenhamos abordado?

R

Sim. Quando falamos de educação de adultos, estamos a tratar de um campo muito amplo. Até agora, falámos sobretudo de alfabetização e de competências profissionais, mas há outro aspecto igualmente importante: a educação cívica e popular. A educação de adultos deve permitir que as pessoas participem mais activamente na vida política e comunitária, desenvolvendo um sentido de cidadania e envolvimento cívico. Não se trata de política partidária, mas de participação social e tomada de decisões dentro da comunidade. E acredito que este tipo de formação pode ser muito bem promovido através da educação de adultos.

DR

Muito obrigado, senhor Director, pela disponibilidade e pelas reflexões partilhadas. Desejamos que esta visita reforce ainda mais a cooperação entre a DVV International, as autoridades moçambicanas e as comunidades locais, em prol de uma educação inclusiva e transformadora ao longo da vida de todos os seus beneficiários.